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Feedback: maturidade não é opcional

Receber feedback é, sim, uma soft skill. Mas a verdade é que muita gente ainda não está preparada para essa conversa

Receber feedback é, sim, uma soft skill. Mas a verdade é que muita gente ainda não está preparada para essa conversa.

E isso não é de hoje.

Tenho observado alguns comportamentos que se repetem, e não, isso não tem a ver exclusivamente com gerações, embora seja inevitável tocar nesse ponto. Também não se trata apenas de ambiente organizacional ou de conflitos mal conduzidos. A questão é mais profunda: falta preparo individual para lidar com o feedback.

Vivemos em um contexto onde a imagem muitas vezes importa mais do que a evolução. Um mundo “editado”, onde errar parece inaceitável — e, curiosamente, onde até as inteligências artificiais, ao reforçarem respostas positivas e acessíveis, podem contribuir para uma percepção inflada de competência.

Nesse cenário, receber um feedback pode soar como ameaça, e não como oportunidade.

Mas aqui está o ponto central: quem não desenvolve a capacidade de ouvir, refletir e agir a partir de um feedback dificilmente conseguirá transitar com maturidade dentro das empresas. Não vai sustentar a pressão do dia a dia. E, principalmente, não vai evoluir.

Uma pesquisa da Gallup sobre desenvolvimento no ambiente de trabalho mostra que profissionais que recebem feedback contínuo têm maior engajamento e desempenho significativamente superior. Ainda assim, o mesmo estudo aponta que muitos evitam ou rejeitam esse processo, justamente por não saberem lidar emocionalmente com ele.

E isso nos leva a uma reflexão importante: o preparo para o feedback não começa na empresa.

Ele começa muito antes.

Começa no ambiente familiar, quando aprendemos (ou não) a lidar com frustrações. Passa pelo ambiente acadêmico, onde muitas vezes o erro é punido, mas pouco discutido como ferramenta de aprendizado. E se estende para todas as relações que construímos ao longo da vida.

Feedback faz parte da vida.

Você vai receber feedback muitas vezes, algumas justas, outras nem tanto. E, diante disso, sempre haverá uma escolha:

Você pode se retrair.

Pode reagir.

Ou pode parar, respirar, analisar e melhorar a partir daquela informação.

Como experiência profissional, eu já recebi muitos feedbacks.

Alguns foram amargos.

Alguns foram agressivos.

Alguns vieram até em tom de brincadeira.

Mas todas as vezes em que eu parei para ouvir, para analisar, eu realmente fiz mudanças significativas na minha carreira.

Já recebi feedback sobre a minha fala, sobre a minha postura, e até sobre a minha aparência.

E, diante de tudo isso, eu fiz algo essencial: parei, analisei e também observei a fonte.

Esse é um ponto importante — nem todo feedback deve ser absorvido da mesma forma. É preciso verificar de onde ele vem. Se é de uma pessoa fidedigna, se tem conhecimento na área, se tem história, repertório, vivência.

Eu escolhi valorizar o feedback de quem tinha consistência.

E foi assim que consegui fazer mudanças reais.

Porque faz parte do processo não apenas ouvir, mas também discernir.

Pense nisso!